A musica pulsava por todo o seu corpo, e se olhasse ao redor a veria pulsar nos corpos a sua volta, mais nem isso ela não escutava mais.
As imagens das pessoas a sua volta, a música alta em seus ouvidos, o vento batendo no rosto, nada mais disso ela sentia. Estava em um abismo, sem começo e sem fim. Como companheiro, apenas o aperto no peito, a saudade de coisas que nunca teve.
Odiava isso. Aquele sentimento que tinha prometido nunca mais deixar entrar, havia tomado espaço novamente, dessa vez em maiores proporções. Sentia-se sósinha em meio a multidão, e enquanto tentava pensar em alguém que comprovaria que estava errada, que tinha alguém ao seu lado, via os milhares de rostos conhecidos passarem pela sua cabeça, e derrepente nenhum deles era mais familiar.
Sabia que era uma coisa que teria que enfrentar, hoje ou amanhã. Assim que decidiu que seria quem era, sabia das consequências, aceitou-as, assinou o contrato. Hoje, já não tem mais volta.
Estava segura dentro de si mesma, mais sabia que não teria ninguém pra levanta-la quando caísse. Hoje, tudo o que queria era conversar.
Imaginou uma cena, as frases, o quarto, a caixa de pizza aberta em cima da cama,... Ouviu as palavras, viu a cena. Mais dela não sentiu nada. O aperto não afrouxou.
Queria correr, correr pelo gramado que não existia, sentar-se embaixo da árvore que nunca havia visto, lendo o livro que nunca havia encontrado, com a companhia certa, da qual nunca havia compartilhado, a solidão.
Lembrou da prova que tinha, da decepção que vivia, das vontades que continha... Guardou tudo de volta, e voltou pro corpo. Lembrou da redação de português
" Argumentos confusos..." Ela tinha razão, tinha que arrumar os pensamentos, mais é uma coisa difícil de se fazer quando se esta em meio a confusão, e o único que sabe organiza-la,
não existe.