sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Poison

Ninguém nunca tinha me avisado.

Claro que eu sabia o que eu estava fazendo, já havia feito antes. Mas como da ultima vez, eu acreditava que nada mudaria, que seria mais um momento, que ia passar. Como os outros passaram.

Mas não passou.

Não sei onde as coisas saíram do planejado. Na hora, logo depois, tudo parecia normal. Não doeu, e devia ter doido. Ainda não dói, apesar de algo em mim me dizer que deveria doer. Mas a maldita saudades, que não deveria estar aqui em mim, ah não, essa esta aqui, batucando na minha cabeça a cada tique-taquear do relógio.

Foi a conversa, é a minha melhor desculpa. Tocar no meu ponto fraco, assim, sem querer, fez com que você virasse ele. E eu na hora, não notei, e deixei você brincar com a ferida, o que tem demais, um pouco de realidade no sonho não faz mal a ninguém.

Mentira, foi o abraço. Minha outra ferida. Eu precisava, e eu peguei. Admito, na hora sabia exatamente o que eu estava fazendo. Abraçando um completo desconhecido, dizendo que era isso que ele teria. Era o que eu queria, o que eu precisava. Saciar a minha vontade. Criei um monstro, mais um.

Ou foi tudo isso, junto com o seu nariz roçando na minha bochecha e aquela sua camisa pólo de “menino correto”. Com certeza, foi tudo isso.

Mas ninguém tinha me avisado o que eu estava provando quando te dei o primeiro beijo, nem o quão grande seria minha abstinência quando eu ri e desconversei. Quando eu com um ultimo beijo, larguei.

*Não achei nenhuma foto que fizesse juz a minha lembrança, nem a nada. Assim como as palavras parecem chulas perto do que eu sinto.

sábado, 27 de novembro de 2010

O que tinhamos aqui

Nela ninguém jamais havia despertado um interesse tão simples. Foi quase como um acidente, quando ele esbarrou na mão dela, e seu corpo foi inundado por choques elétricos. Ele não era nenhum principe encantado, nem fazia seu coração parar. Mas aquelas descargas elétricas haviam a aprisionado. A cada toque insignificante, ela se sentia eletrizada, e com o tempo apenas um olhar mais intenso, mais intimo, só dos dois, já disparava seus choques.
Nenhum sorriso havia chamado a sua atenção daquele modo. Era como se fosse impossível não ser feliz olhando para ela, ouvindo a sua risada. Começou como um pequeno vício, ver seu mundo preto e branco se colorir diante daquele sorriso, diante dela. Era em meio ao desespero de torna-la real que ele se encontrava de braços esticados, pronta para toca-la. Mas era quando ela vinha até ele e o abraçava, sem dizer nada, e logo então sumia, que seu perfume impregnado nele não deixava dúvidas de que ela era real.
Eles pertenciam tanto um ao outro, que era difícil não notar. Se moviam numa sincronia perfeita, só eles pareciam não notar feito tão natural que ocorria entre eles. Trocavam olhares como se fossem confissões, e ambos entendiam o poder de cada segundo. O jeito com que se tocavam, a delicadeza e proximidade entre os dois, era algo incrivel. Se eles ao menos soubessem o que tinham ali...


quinta-feira, 4 de novembro de 2010

tempo de queda...

Ainda me encontro de boca aberta de fronte com o o fato de como as coisas acontecem rápido. Claro, tudo leva tempo, e quando se espera por alguma coisa, ela simplesmente leva eras pra acontecer. Porém, fatos conseguem nos acertar em cheio na questão de segundos, e podem levar milésimos de segundo até que seu corpo encontre o chão com violência, ou no meu caso, você pode ficar horas e horas caindo...
Foi assim. Foram necessários apenas alguns segundos e um comentário despretensioso para me colocar em uma espécie de coma. Eu só ficava lá, flutuando enquanto o meu estômago lutava com meus pulmões por espaço dentro de mim, e minha mente jogava pensamentos um atrás do outro, como pequenas bombas destruindo o oponente aos poucos.
Aquele era o ultimo pilar que segurava a minha estrutura. Apesar de longe e intocável, ele continuava ali, sempre firme. Finalmente tinham o derrubado. Eu havia atingido o chão. E agora era só eu. Eu e meus escombros.

sábado, 30 de outubro de 2010

I always win in the end

Metade do tempo ela escutava as mesmas palavras das pessoas todas as vezes em que não conseguia ver nada por entre seus olhos cheios de lágrimas. Sempre as mesmas palavras, que junto com a visão embaçada, entravam por um ouvido e saiam pelo outro, só dando um pequeno aceno. Sabia que todas aquelas coisas eram a coisa certa a se fazer, mas não era o que ela queria. Era exatamente do que ela tinha medo, e muito. Não fez.
Foi só no meio de uma apreciação da paisagem, mergulhada em pensamentos sobre seu coração apertado, que todas as coisas certas foram ditas pela única voz que ela ouviria, a do seu coração. Ele não murmurou em voz baixa e delicada como todas as pessoas que haviam dito antes, também não fez com que soasse como um conselho. Não, era uma ordem, uma conclusão, o movimento certo para um cheque mate bem elaborado e brilhante, logo ali.
Não ia cometer o mesmo erro, não iria ignorar aquela voz sábia que vinha de dentro dela, lhe dando as instruções corretas. Porque tudo tinha o seu tempo certo para se sair perfeito, e agora ela sabia, que esse momento tinha chegado. A vitória estava agora, em suas mãos.

#Eu ainda odeio como as palavras adoram dançar na minha mente, apenas quando não posso escreve-las. O resto do tempo, todas elas resolvem fugir com a minha sanidade.