O pior de tudo? Acho que no momento são esses litros de águas salgadas que estão pesando de mim, e não conseguem sair pelos meus olhos. A dor de um órgão latente (porque ele não é nada mais que isso, a partir de hoje) dilacerado novamente, não foi nada comparado com a tontura e a perda de chão da descrença.
Fé de criança nas mãos de adultos, conheçe? A garota que acreditou em você, novamente, novamente, novamente, se viu novamente com uma mentira em meio a suas mãos. Mentira vinda daquela pessoa que ela desde o primeiro momento achou que seria a salvação, o melhor, o diferente. Você só se tornou pior.
E o pior de tudo, sim, o pior de tudo, é saber o motivo do mar dentro de mim continuar ali, sem demonstrar nenhuma vontade de escapar. Isso porque, fé de criança, sabe como é: ainda acredito que tem salvação!
~ é, faz tempo que eu parei de escrever, mais tempo ainda que eu não escrevo nada maior que uma palavra. Ta ai, um texto ruim, escrito diretamente em uma caixa de texto marrom, ao som de um coração quebrado e risadas de desespero. Hope not to dream today.
sexta-feira, 30 de julho de 2010
terça-feira, 27 de abril de 2010
All she has

"Ela queria que ele arrombasse o cofre onde ela guardava todos os seus segredos, e os lessem um por um, até conhecer o seu mais profundo interior, aquele que nem ela mesma conhecia."
Era o presente mais frágil e importante no meio da prateleira de tranqueiras. Era assim que ela o via todos os dias, em todos os seus pensamentos. Algo pelo qual ela havia esperado, implorado, procurado por tanto tempo, e que havia encontrado um pouco depois de desistir. Essa era a causa de tantos cuidados, tantos desvios, tantos pensamentos. Era o medo de fazer qualquer movimento brusco, dizer qualquer palavra mal pensada, e fazer tudo desabar.
Mais eis que ele estava ali. Mais fundo do que qualquer um havia estado. Mais compenetrado do que ela poderia ter arriscado. E agora ela via o quanto aquilo podia lhe fazer tremer.
Mais eis que ele estava ali. Mais fundo do que qualquer um havia estado. Mais compenetrado do que ela poderia ter arriscado. E agora ela via o quanto aquilo podia lhe fazer tremer.
"Desejava que ele fosse o único em quem ela iria pensar na hora de desabafar, pra quem ela não iria fazer questão de sorrir o tempo todo, e com quem ela poderia contar na hora de chorar."
As coisas eram diferentes ali no meio. Não sorria todos os dias, e as vezes, quase sempre, sentia o aperto no peito de ter exposto mais do que deveria. Mais nenhum dos seus temores se fez concreto. Ele aceitava, ouvia e as vezes até mesmo sorria diante de tamanhas complicações em frente a tão pequenos obstáculos. Ele sabia dos seus maiores segredos, que ali em meio a eles, pareciam apenas acontecimentos bobos sussurrados aos risos. Se sentia criança ao lado dele, contando tudo o que lhe vinha a mente, sem medir palavras ou se quer pensar duas vezes.
"Ela precisava disso. Precisava de alguém para compartilhar toda aquela bagunça que era a sua cabeça, os seus pensamentos, o seu coração. Ela precisava dele."
Ele era isso. Mentira, blasfêmia. Ele era muito mais do que isso. Ia muito mais longe que alguém que simplesmente sabia de todos os pensamentos confusos que haviam dentro daquela mente, mais do que um corpo pra se abraçar quando se precisasse, do que ouvidos para ouvir o que eu precisava contar, ou boca pra perguntar o que eu precisava responder. Conhecia muito mais do que sua cabeça, pensamento e coração. Era o seu maior presente, uma das pessoas mais importantes no mundo, e conhecia a sua alma.
sábado, 24 de abril de 2010
Smile thing

Eu poderia entender muito bem como aquele sorriso vinha parando aqui, no canto da minha boca, todos os dias, sem maiores complicações. Eu podia mostrar, e eu queria, como você podia coloca-lo no canto da sua boca também. É muito difícil quando as pessoas não querem entender o caminho.
E eu seguia, sorrindo todos os dias, sem maiores problemas, e com a maior tranquilidade. E eu esperava, e torcia com toda a fé, para que você simplesmente tropeçasse no caminho certo.
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Cold
Era uma noite fria, como todas as outras. Eu era apenas um toco e de pessoa, enfiada com delicadeza dentro de mil e um casacos. O rosto vermelho de calor, as mãos roxas de frio e os pés espremidos dentro de um par de tênis e duas meias.
Abri a porta devagar, na ponta dos pés, tentando não fazer barulho. As luzes todas apagadas, tudo em silêncio. O único barulho vinha da lenha estalando na lareira acesa na sala, da qual eu apenas podia ver o fraco brilho que ela emanava nos outros quartos.
Tirei os tênis, e deslizei silenciosamente só de meia até a sala. No sofá virado de frente para a lareira, podia ver a sombra de alguém. Provavelmente dormindo, como sempre, com o notebook em cima das pernas, vencido pela cansaço. Deslizei até ele, empurrei o notebook pra fora do seu colo e ali me aninhei.
Eram assim, todos os finais do dia. Em algum lugar.
Abri a porta devagar, na ponta dos pés, tentando não fazer barulho. As luzes todas apagadas, tudo em silêncio. O único barulho vinha da lenha estalando na lareira acesa na sala, da qual eu apenas podia ver o fraco brilho que ela emanava nos outros quartos.
Tirei os tênis, e deslizei silenciosamente só de meia até a sala. No sofá virado de frente para a lareira, podia ver a sombra de alguém. Provavelmente dormindo, como sempre, com o notebook em cima das pernas, vencido pela cansaço. Deslizei até ele, empurrei o notebook pra fora do seu colo e ali me aninhei.
Eram assim, todos os finais do dia. Em algum lugar.
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